Há um momento em
que tudo desmorona.
Não existem mais certezas.
Somente uma afirmação é definitiva:
a vida é absurda!
Caminhar sabendo
que não se chegará a lugar algum, viver o engano da expectativa que leva à
frustração, induz perguntar:
por que?
Toda interrogação supõe
a busca por uma resposta. E quanto mais se procura saber, menos se sabe...
Não à toa Sócrates chegou a concluir: 'só sei que nada sei'.
E o absurdo é ainda continuar
na busca... sabendo de tudo isso, ainda continuamos.
“Ocorre
que os cenários se desmoronam. Levantar-se, bonde, quatro horas de escritório
ou fábrica, refeição, bonde, quatro horas de trabalho, refeição, sono, e
segunda, terça, quarta, quinta, sexta e sábado no mesmo ritmo, essa estrada se
sucede facilmente a maior parte do tempo. Um dia apenas o "porque"
desponta e tudo começa com esse cansaço tingido de espanto. "Começa",
isso é importante.
O cansaço
está no final dos atos de uma vida mecânica, mas inaugura ao mesmo tempo o
movimento da consciência. Ele a desperta e desafia a continuação. A continuação
é o retorno inconsciente à mesma trama ou o despertar definitivo. No extremo do
despertar vem, com o tempo, a consequência: suicídio ou restabelecimento. Em
si, o cansaço tem alguma coisa de desanimador. Aqui, eu tenho de concluir que
ele é bom. Pois tudo começa com a consciência e nada sem ela tem valor. Essas observações
não têm nada de original. Mas são evidentes: por ora isso é suficiente para a
oportunidade de um reconhecimento sumário das origens do absurdo. A simples
"preocupação" está na origem de tudo.
Da mesma
forma, e ao longo de todos os dias de uma vida sem brilho, o tempo nos carrega.
Mas sempre chega um momento em que é preciso carregá-lo. Vivemos para o futuro:
"amanhã", "mais tarde", "quando você tiver uma
situação", "com o tempo você vai compreender". Essas inconsequências
são admiráveis porque, afinal, se trata de morrer. Mas chega um dia e o homem
verifica ou diz que tem trinta anos. Afirma assim sua juventude. Mas, nesse mesmo
lance, se situa com relação ao tempo. Ocupa ali seu lugar. Reconhece que está
num dado momento de uma curva que confessa ter de percorrer. Ele pertence ao
tempo e, nesse horror que o agarra, reconhece nele seu pior inimigo. Amanhã,
ele queria tanto amanhã, quando ele próprio deveria ter-se recusado inteiramente
a isso. Essa revolta da carne é o absurdo”. (CAMUS, Albert. O mito de Sísifo. p.14)
3 alvoroço:
é um alvoroço e se cansar das condições é um passo para aceitar nossa natureza contraditória, o desmoronar necessário é a alegria de ter consciência. Viva a consciência! muito bom querida, saudades! beijos
A vida eh mesmo absurda! Passamos todo o tempo procurando a felicidade e sequer temos um sinal de quando a encontramos. A vida se resume em altos e baixos. Ponto final.
Bjus!
Queridos Rafa e Jamylle, obrigada por sempre aparecerem e sempre comentar.
Beijos
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